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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Hannah Arendt



Descobri Hannah Arendt há mais de trinta anos ,

nas aulas de direito internacional ministradas pelo

professor doutor Celso Lafer , que foi seu aluno na

Universidade de Cornnel em seus estudos de pós-

graduação .

Ele nos descrevia a filósofa como uma mulher de

elegância sóbria com uma presença pessoal vigorosa.

Afirmava que suas exposições deixavam a todos os

alunos não só deslumbrados , como também convencidos


que estavam diante de alguém que conhecia ,

dominava e tinha refletido com muita

vitalidade e de maneira muito pessoal sobre toda a

trajetória da cultura ocidental .

Mais tarde , lendo algumas obras da autora ,

percebi que ela não era apenas uma intelectual ,

uma filósofa, uma escritora , mas também ,

uma mulher que conhecia o sofrimento e

o esfacelamento de cada um .

Nas palavras de Laure Adler , autora do livro ,

" Nos passos de Hannah Arendt " :

" Ler Hannah Arendt é se alongar numa tarde

de verão bem quente num campo onde a grama acaba

de ser podada e olhar para o sol .

Levantar , ir descalça até o regato e caminhar ,

com os tornozelos cobertos de água gelada ,

sobre os calhaus .

O corpo arde , a cabeça gira ,

o espírito está em chamas ."




Hannah Arendt



" Sinto-me um animal para o qual todos

os acessos estão fechados .

Não posso mais me entregar , pois ninguém

me quer do jeito que sou ; todos sabem

mais de mim do que eu ."


Hannah Arendt a Karl Jaspers ,

19 de fevereiro de 1965