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sábado, 11 de maio de 2019

CELEBRAÇÕES ...

Fabian Perez 

Começo este post com as palavras do escritor 
Rubem Alves : 

" Aí , de repente , os meus olhos  se abriram , 
e vi  como nunca havia visto .
Senti que o tempo é apenas um fio .
Nesse fio vão sendo enfiadas  todas as experiências 
de  beleza e de amor por que passamos ."

No dia de ontem este blog completou 09 anos .
Um tempo de partilhas , de encontros ,
   de  aprendizagem  e  de carinho .
Amanhã , segundo domingo de maio ,
comemoraremos o dia das mães .
Por benção divina , a minha se encontra
entre nós , com 94 anos  saudáveis e lúcidos .
Meus filhos , nora e genro , estarão comigo ,
com meu marido  e meu irmão 
no almoço  das mães .
Será  um encontro  de amor  , união  e alegria .
Termino com mais palavras de Rubem Alves :

Há momentos efêmeros que justificam 
toda uma vida ."

Um domingo abençoado a todas as mães .
Beijos 

Som  na  caixa ...



terça-feira, 22 de maio de 2018

RUBEM ALVES

Duy  Huynh

" Duas mulheres conversam sobre seus amores .
Uma delas diz : Eu o amo porque o amo .
Pelas coisas que ele me fala . Me canta canções.
Me mostra o mundo .
 Toca meu corpo , e  ele estremece . 
Nada me dá ,  mas me faz bonita ...
Eu o amarei  mesmo que me abandone .
Sentirei saudades ...
A outra diz :
Eu o amo porque está sempre pronto a 
atender meus desejos .
Nada me recusa .
Quando não me quer dar eu choro , 
insisto , prometo beijos e ele muda de idéia ...
Assim são os dois tipos de religião ."

Rubem  Alves ,
no livro " Mais badulaques "

Som  na  caixa ...


quinta-feira, 2 de abril de 2015

PÁSCOA

Piero  della  Francesca 

 No  mundo cristão ,
 a Páscoa  tem  um sentido transformador.
Com sua morte na cruz , Jesus transforma 
a derrota em vitória , a morte em vida 
e o medo em esperança .
O escritor , teólogo , psicanalista  e educador ,
Rubem Alves ,  assim nos diz :

 " Tenho no meu escritório uma tela do pintor 
Piero della Francesca  chamada " Ressureição " .
A pedra do túmulo corta  a tela em duas partes .
Na parte de cima , com seu pé , sob a pedra ,
o Cristo ressuscitado.
Na  parte inferior , 
encostados à pedra , os guardas adormecidos .
Perguntam-me sobre o sentido da tela .
Respondo que não sei o sentido da tela .
As  telas tem muitos  sentidos .
Eu só posso  dizer o que 
aquele quadro me faz pensar.
E digo : enquanto os guardas da morte 
estão dormindo , o divino que mora em nós
sai do sepulcro .
 Sabem disto as cigarras .
Caminhando hoje pela manhã  na fazenda
Santa Elisa eu ouvi  o seu canto .
Já haviam deixado suas cascas nos troncos 
das árvores .
Agora  são seres  alados .
Cantam e voam a procura do amor ...
Acho que estão celebrando a  Páscoa..."

Rubem Alves 
( 1933-2014 )

Desejo a vocês  , meus amigos , uma abençoada e alegre  Páscoa .

Beijos 

Som  na  caixa ...


sábado, 7 de abril de 2012

MILHO DE PIPOCA




" (...)
A transformação do milho duro em pipoca macia
é símbolo da grande transformação porque devem
passar os homens para que eles venham a ser o que
devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser.
Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
O milho da pipoca somos nós:
duros, quebra-dentes, impróprios para comer,
pelo poder do fogo podemos, repentinamente,
nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua
a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito,
a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa.
Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito
de ser é o melhor jeito de ser .

Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação
que nunca imaginamos. Dor.
Pode ser fogo de fora:
perder um amor, perder um filho, ficar doente,
perder um emprego, ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro :Pânico, medo, ansiedade,
depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo.
Sem fogo o sofrimento diminui.
E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela,
lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua
hora chegou: vai morrer.
De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma,
ela não pode imaginar destino diferente.
Não pode imaginar a transformação que está
sendo preparada
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo,
a grande transformação acontece: PUF!!
— e ela aparece como outra coisa,
completamente diferente, que ela mesma nunca
havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia
que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca
está representado pela morte e ressurreição de Cristo:
a ressurreição é o estouro do milho de pipoca.
É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro."

Rubem Alves , in " O amor que acende a lua "


Amigos ,

Alegre e abençoada Páscoa para todos nós .

Beijos,

Marisa

sexta-feira, 9 de março de 2012

INFORMAÇÃO ...



" O caldo da sopa é o meio mágico que junta no

caldeirão aquilo que , na natureza nasceu separado.

( ...)

Uma última informação :

sopas são remédios maravilhosos contra a depressão.

Quando a sopa quente , cheirosa , colorida e

apimentada bate no estômago , a tristeza se vai

e a alegria volta .Não há melancolia que resista

à magia de um prato de sopa ..."



Rubem Alves , na crônica " Sopas "

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Palavras Falsas



" Todas as palavras , tomadas literalmente ,

são falsas . A verdade mora no silêncio

que existe em volta das palavras .

Prestar atenção ao que não foi dito ,

ler entre as linhas .

A atenção flutua : toca as palavras

sem cair em suas armadilhas , sem ser

por elas enfeitiçada .

Cuidado com a sedução da clareza !

Cuidado com o engano do óbvio ."



Rubem Alves , in " do universo à jabuticaba "

Rubem Alves assim nos fala :



" Minha leitura é não leitura ,

meus textos, pre-textos :

gaiolas-palavras sem nada dentro,

portas abertas , cujo propósito é

criar o vazio para que a Palavra

esquecida se diga .

Na verdade ,pouco importa o que

digo e escrevo .O que importa são

as palavras que se dizem ,

vindas das funduras de quem lê ."



in , " do universo à jabuticaba "

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rubem Alves




" Segundo o taoísmo , a vida é assim :

somos pequenos barcos de velas brancas

no mar desconhecido . Os remos são inúteis .

A força dos elementos é maior que a

nossa força .

Gosto de ver os urubus voando nos prenúncios

de tempestade . Eles não batem asas .

Não lutam contra o vento.

Flutuam , deixam-se levar .

A sabedoria dos barcos a vela é a mesma

sabedoria dos urubus . Brincar com vento e onda ,

vela e leme , e deixar-se ser levado .

A sabedoria suprema não é fazer - remar - ,

mas fazer nada ,deixar-se levar pelo mar

da vida que é mais forte .Eu nunca consegui chegar

a lugar algum usando remos .

Sempre fui levado por uma força mais forte

que minha razão a praias com que nunca

havia sonhado .

Foi assim que me tornei escritor , porque o mar

foi mais forte que meu plano de viagem ."



in , " Se eu pudesse viver minha vida novamente ..."

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Luz das velas



" O amor prefere a luz das velas .

Talvez porque seja isto tudo que desejamos

da pessoa amada : que ela seja uma luz suave

que nos ajude a suportar o terror da noite .

Sob a luz do amor que ilumina modesta

e pacientemente , o escuro já não assusta tanto ."


Rubem Alves

sábado, 23 de julho de 2011

Um único momento ...



( ...)

" Compreendi , então , que a vida não é uma sonata

que , para realizar a sua beleza , tem de

ser tocada até o fim .

Dei-me conta , ao contrário , de que a vida é

um álbum de minissonatas .


Cada momento de beleza vivido e amado ,

por efêmero que seja , é uma experiência completa

que está destinada à eternidade .

Um único momento de beleza e amor

justifica a vida inteira ."



Rubem Alves , in " Concerto para corpo e alma "

domingo, 15 de maio de 2011

Rubem Alves , ainda...


“ Foi longo o itinerário que segui .

Minha infância foi uma infância feliz .

Vivi anos de pobreza , morando numa

casa de pau-a-pique ,fogão de lenha ,

noites iluminadas pela luz das lamparinas

e das estrelas , minha mãe trazendo

água da mina numa lata , meu pai

trabalhando com a enxada e o machado.

Mas não tenho desses anos nenhuma

memória triste . As crianças ficam felizes

com pouca coisa ( ...)

O sagrado aparecia , sem nome , no capim,

nos pássaros , nos riachos , na chuva ,

nas árvores , nas nuvens , nos animais .

Isso me dava alegria .”



Rubem Alves ,na crônica

“ A beleza dos pássaros em vôo ...”

Outras confissões de Rubem Alves


“ Meu filho Sérgio tinha três anos quando viu

o mar pela primeira vez .

Em silêncio , ficou a contemplar o mar ,

as ondas se quebrando sem cessar .

E me perguntou : “ O que é que o mar faz

quando a gente vai dormir ?”

Era-lhe incompreensível a eternidade do mar.

Também me espanto e me pergunto , sem resposta :

“ Há quanto tempo o mar se quebra alisando a areia ? “

O mar , a praia , as conchas , o céu , os peixes

invisíveis nas profundezas , as gaivotas em vôo

me falam da eternidade .

Senti-me retornado ao início do mundo ( ...) “




Rubem Alves ,

na crônica “ Por que não me mudo pra Bahia “

sábado, 14 de maio de 2011

Confissões de Rubem Alves



“ Quero Deus como um artista que cata os cacos

do meu vitral , partido por pedradas ao acaso ,

e os coloca de novo na janela da catedral, para que

os raios de Sol de novo por ele passem .”




Rubem Alves , in “ Na morada das palavras”

domingo, 30 de janeiro de 2011

O olhar



( ...)

" O ver , como fenômeno físico, acontece


instantaneamente . Basta abrir os olhos ...

A luz toca a retina e a imagem se forma


nalgum lugar do cérebro .

Igual ao que acontece com a máquina fotográfica.

Mas há um outro ver que não é coisa dos olhos .

Como quando se contempla uma criança adormecida .

A visão de uma criança adormecida nos acalma .

Faz-nos meditar . O olhar se detém .

Acaricia vagarosamente .


O olhar se torna então uma experiência poética

de felicidade . Sentimos que a criança que vemos

dormindo no berço dorme também na nossa alma .

E a alma fica tranquila , como a criança ."



Rubem Alves , in " Ostra feliz não faz peróla "

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Rubem Alves : Certezas não há



" Pensei que a vida se parece com um

quebra-cabeças .Quebra-cabeças: milhares de

peças espalhadas sobre a mesa , uma bagunça

enorme , que não faz sentido .

Mas as caixas dos quebra-cabeças que se

compram nas lojas dizem que a bagunça

pode se transformar em beleza : elas trazem

impresso o modelo , que pode ser um lago ,

um castelo , uma menina lendo um livro ,

um jardim , um anjo tocando bandolim ...

Gastamos então horas e horas ( eu já gastei meses ...)

pacientemente trabalhando para transformar o caos

em sentido . Pois eu pensei que a vida é um

quebra-cabeças com milhares , milhões de peças .

Mas acontece que o quebra-cabeças da vida não

vem acompanhado de um modelo .

Não sabemos o seu sentido .

Não sabemos como é a beleza .

O modelo precisa ser reinventado .

E é somente o coração , ajudado pela inteligência ,

que pode fazer isto . Os dois se pôem , então ,

a trabalhar . Observam as peças , conferem as cores ,

examinam as formas e , repentinamente , aparece

um modelo , produzido pela magia da imaginação .

O modelo não foi visto , porque ele não está em

lugar algum . É um sonho ! Mas , se é que não

sabem , que aprendam : a vida é feita de sonhos !

Se o sonho nos parecer belo , começaremos a

organizar as peças fragmentárias da nossa vida para

que o sonho se torne realidade porque desejamos

que a vida seja bela . Certezas não há .

Mas se o sonho nos seduzir por sua beleza ,

teremos coragem para apostar nele a nossa vida inteira.

Apostar nossa vida num sonho , sem certeza alguma ,

é isso que se chama fé . A essa beleza invisível ,

sonhada que nos seduz e chama , eu dou o nome de Deus ...

Como disse Fernando Pessoa :

" Deus quer . O homem sonha . A obra nasce ."


Rubem Alves , in, Mais Badulaques


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reflexão do dia ...



" Não haverá borboletas se a vida não passar

por longas e silenciosas metamorfoses ."


Rubem Alves

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ele não existe ...



" Eu e minha filha de cinco anos voltávamos

do cinema. Tínhamos visto o E.T.

Minha filha chorava convulsivamente .

Nada a consolava.

Em casa , depois do lanche , para consolá-la

eu lhe disse :

Vamos ao jardim ver a estrelinha do E.T.

Fomos . Mas o céu se cobrira de nuvens .

Minha mágica não dera certo . Improvisei .

Corri para trás de uma palmeira e gritei :

O E.T. está aqui ! Venha ver !

Ela ficou séria e disse :

Papai , não seja bobo . O E.T. não existe ...

Respondi : Não existe ?

Então , porque é que você está chorando ?

Por isso mesmo, porque ele não existe ... "


Rubem Alves, in " Ostra feliz não faz pérola "

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dia do médico




" Instrumentos musicais existem não por causa

deles mesmos mas pela música que podem produzir.

Dentro de cada instrumento há uma infinidade de

melodias adormecidas , à espera de que acordem do

seu sono . Quando elas acordam e a música é ouvida ,

acontece a Beleza , e com a Beleza , a Alegria .

O corpo é um delicado instrumento musical .

É preciso cuidar dele , para que ele produza música.

Para isso , há uma infinidade de recursos médicos .

E muitos são eficientes .

Mas o corpo, esse instrumento estranho , não se

cura só por aquilo que se faz medicamente com ele .

Ele precisa beber a sua própria música .

Música é remédio .

Médicos : cuidam dos remédios e das intervenções

físicas - bons para o corpo - mas tratam de

acender a chama misteriosa da alegria

Ela se acende magicamente .

Precisa da voz , da escuta , do olhar ,

do toque , do sorriso .

Médicos : ao mesmo tempo técnicos e mágicos ,

a quem é dada a missão de consertar os instrumentos

e despertar neles a vontade de viver ."


Rubem Alves



Parabéns aos médicos !

Agradeço , beijo e abraço todos ,

especialmente os que estão sempre ao meu lado .

terça-feira, 13 de julho de 2010

Rubem Alves : Os moradores do albergue




Trecho da crônica

( ...)


" Fernando Pessoa era um exemplo vivo de albergue

onde moravam os mais variados personagens ,

mais de trinta ,chamados heterônimos, cada um

deles com biografia própria,filosofia distinta ,

estilo peculiar e sentimentos específicos:

Alberto Caeiro não pensa , não sente e não escreve

como Ricardo Reis , que não pensa , não sente e

não escreve como Álvaro de Campos , que não pensa ,

não sente e não escreve como Bernardo Soares -

e assim por diante .Não se trata de pseudônimos .

Pseudônimo é uma máscara que um escritor pode usar

para se esconder ou se identificar .

O caso de Fernando Pessoa era outro :

ele era literal e literariamente

" possuído " pelos heterônimos .

Sua identidade civil era definida por sua carteira

de identidade: um único indivíduo, Fernando Pessoa.

Mas nesse corpo de um nome só moravam muitos

e diferentes outros que se alternavam .

Ele chegou a confessar :

" Meu coração é um albergue ."

Tenho estado tentando fazer um inventário

das muitas entidades que podem morar no corpo .

Há moradores de todo o tipo e - o curioso é

que o corpo não faz uma investigação das

credenciais do pretendente a albergado ,

antes de aceitá-lo como morador .

Eis alguns deles : o depressivo , de

poucas palavras ; o alegrinho falador ,

insuportável; o sargento que gosta de dar

ordens ; a bruxa horrenda de voz gritada;

o torturador sádico ; o filósofo sábio ;

o místico ; o romântido apaixonado ;

o invejoso, verde; o ciumento; o mal humorado,

que acha tudo ruim ; o carrasco; o rancoroso ,

que se compraz em esgravatar o passado ;

o canalha; o moralista ; a perua ; o velho ;

a criança ... A lista não tem fim .

Com a ajuda do seu analista você poderá

fazer um inventário dos tipos que moram no

seu albergue , a fim de compreender as

confusões que acontecem no seu corpo ."

( ...)


in , Rubem Alves , " O amor que acende a lua "

terça-feira, 25 de maio de 2010

A BELA CENA



" ( ...)

Amamos a bela cena antes de amar a pessoa .

Amamos a pessoa porque ela completa a bela cena .

Somos amantes antes de encontrar com a mulher ou

com o homem que será objeto de nosso amor .

A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos ,

seus rostos envoltos pela sombra .

Sua beleza é triste e nostálgica porque sendo moradores

da alma ao lado dos sonhos ,

eles não existem do lado de fora.

Vez por outra , entretanto ,

defrontamo-nos com um rosto ,

apenas uma voz , um olhar , um gesto com a mão ...

que , sem razões , ilumina um dos quadros que

estava escuro .

Somos então possuidos pela certeza de que esse

rosto mora nas sombras da alma .

O corpo estremece .

A paixão está nascendo ."



Rubem Alves, in " Cantos do Pássaro Encantando ."