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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

AMANHECER

Nilgun  Akyol 
 
"  Morei  em um lugar
que ainda não existia .
Criamos as casas e as músicas
os pássaros  e os consensos .
Uma  velha de cem anos me contou
que com o tempo tudo mudaria ,
e como mudaria :
pois os extravios  e errros chegam logo
após o terceiro ou quarto amanhecer .
Desde  então , maquino todas as noites
um novo lugar  para  a  vida .
Ainda  ajudo a criar este lugar
onde o amanhecer não seja o fardo dos ombros
nem a condenação dos dias
e sim o presente do mundo ."
 
 
Kelsen Oliveira ,
in " para comover  borboletas "

OS OLHOS DA VÓ

Gaetano Bellei
 
"  Minha  avó  tinha  olhos  de  verão .
Ela  abria  a janela e com um olhar
transformava os rumos da tarde .
O terreiro  que ela varria  sentia-se
diferente dos outros
ele mesmo me contava .
Nesse  terrreiro a vó plantava
  botija de histórias
para que eu as procurasse
e esquecesse o mundo noutro lugar .
Quando não me esquecia ,
empoeirando-me  no terreiro 
 à procura  das  histórias ,
os olhos da vó outonavam.
Duas  folhas  escorriam .
As  folhas  não  eram  secas ,
eram  sentimentais ."
 
 
Kelson  Oliveira ,
in " para  comover  borboletas "