quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mais Fernando Pessoa


“ Eu amo tudo o que foi ,

Tudo o que já não é ,

A dor que já me não dói ,

A antiga e errônea fé ,

O ontem que dor deixou

O que deixou alegria

Só porque foi , e voou

E hoje já é outro dia .”

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mar Português



“ Ó mar salgado , quanto de teu sal

São lágrimas de Portugal !

Por te cruzarmos , quantas mães choraram ,

Quantos filhos em vão rezaram !

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso , ó mar !



Valeu a pena ? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena .

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor .

Deus ao mar o perigo e o abismo deu ,

Mas nele é que espelhou o céu .”



Fernando Pessoa

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pablo Neruda



“ De uma mulher que apenas conheci

guardo o nome fechado: é uma caixa

levanto de tarde em tarde as sílabas que tem

ferrugem e rangem como pianos desconjuntados :

vão saindo logo as árvores aquelas , da chuva ,

mais os jasmins e as tranças vitoriosas

de uma mulher sem corpo já , perdida ,

afogada no tempo como num lento lago :

seus olhos se apagaram ali como carvões .”



verso do poema “ Imagem "

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Citação do dia ...



“ Eu gosto da gente que é capaz de entender que

o maior erro do ser humano é tentar arrancar

da cabeça aquilo que não sai do coração .”



Mario Benedetti

domingo, 3 de julho de 2011

Verso de poema ...



“ Podei a roseira no momento certo

e viajei muitos dias ,

aprendendo de vez

que se deve esperar biblicamente

pela hora das coisas .

Quando abri a janela , vi-a ,

como nunca a vira

constelada ,

os botões ,

alguns já com rosa-pálido

espiando entre as sépalas

jóias vivas em pencas . “



Adélia Prado , in

“ Meditação à beira de um poema “

sábado, 2 de julho de 2011

Que seja doce ...



“ Então que seja doce . Repito todas as manhãs ,

ao abrir as janelas para entrar o sol ou o cinza

dos dias , bem assim , que seja doce .

Quando há sol e este sol bate na minha cara

amassada do sono ou da insônia , contemplando

as partículas de poeira soltas no ar , feito um

pequeno universo ; repito sete vezes para dar

sorte : que seja doce que seja doce que seja

doce e assim por diante . Mas , se alguém

me perguntasse o que deverá ser doce , talvez

não saiba responder .

Tudo é tão vago como se fosse nada .

Ninguém perguntará coisa alguma , penso .

Depois continuo a contar para mim mesmo ,

como se fosse ao mesmo tempo o velho

que conta e a criança que escuta , sentado

no colo de mim .”



Caio Fernando Abreu , in

“ Os dragões não conhecem o paraíso .”

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sobre importância ...



( ...)

“ que a importância de uma coisa não se mede com

fita métrica , nem com balanças , nem barômetros etc...

Que a importância de uma coisa há que ser medida

pelo encantamento que a coisa produza em nós .”

(...)



Manoel de Barros