segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Antiga Benção Celta



" Que a estrada ensine o melhor caminho .

Que o vento esteja sempre em suas costas .

Que o sol ilumine seu rosto .

Que a chuva fertilize seu campo .

E até que nos encontremos de novo ,

Que Deus lhe guarde na palma da mão ."

Oração Celta



" Que Deus nos dê

para cada tempestade , um arco-íris .

Para cada lágrima , um sorriso .

Para cada gesto de ternura , uma promessa .

E uma benção em cada momento difícil .

Que tenhamos sempre um amigo fiel

para dividir nossos problemas .

E que cada oração seja sempre

escutada e respondida ."

domingo, 13 de novembro de 2011

Boas Maneiras



" Os anjos não dão de ombros , não ;

quando querem mostrar indiferença ,

os anjos dão de asas ."


Mario Quintana , in " Caderno H "

Exame de Inconsciência



" Há noites em que não posso dormir

de remorsos por tudo o que deixei de cometer ..."



Mario Quintana , in "Caderno H"

sábado, 12 de novembro de 2011

Chorinho doce



" Eu já tive e perdi

uma casa ,

um jardim ,

uma soleira ,

uma porta ,

um caixão de janela com um perfil .

Eu sabia uma modinha e não sei mais .

Quando a vida dá folga , pego a querer

a soleira ,

o portal ,

o jardim da casa ,

o caixão de janela e aquele rosto de banda.

Tudo impossível

tudo de outro dono ,

tudo de tempo e vento .

Então me dá choro , horas e horas ,

o coração amolecido como um figo na calda ."



Adélia Prado

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Se cada dia cai



" Se cada dia cai ,

dentro de cada noite ,

há um poço

onde a claridade está presa .



há que sentar-se na beira

do poço da sombra

e pescar a luz caída

com paciência ."



Pablo Neruda ,

in " Últimos Poemas"

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Silêncio



" É tão vasto o silêncio da noite na montanha.

É tão despovoado.

Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo,

pensar depressa para disfarçá-lo.

Ou inventar um programa, frágil ponto que mal

nos liga ao subitamente improvável

dia de amanhã.

Como ultrapassar essa paz que nos espreita.

Silêncio tão grande que o desespero tem pudor.

Montanhas tão altas que o desespero tem pudor.

Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina,

o corpo todo escuta: nenhum rumor.

Nenhum galo.

Como estar ao alcance dessa profunda meditação

do silêncio. Desse silêncio sem lembranças de

palavras. Se és morte, como te alcançar.




É um silêncio que não dorme: é insone:

imóvel mas insone; e sem fantasmas.

É terrível – sem nenhum fantasma.

Inútil querer povoá-lo com a possibilidade

de uma porta que se abra rangendo,

de uma cortina que se abra e diga alguma coisa.

Ele é vazio e sem promessa.

Se ao menos houvesse o vento.

Vento é ira, ira é a vida. Ou neve.

Que é muda mas deixa rastro –

tudo embranquece,as crianças riem,

os passos rangem e marcam.

Há uma continuidade que é a vida.

Mas este silêncio não deixa provas.

Não se pode falar do silêncio como

se fala da neve.

Não se pode dizer a ninguém como

se diria da neve:

sentiu o silêncio desta noite?

Quem ouviu não diz. "




Clarice Lispector , in " Onde estivestes de noite ?"