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" Que a estrada ensine o melhor caminho .
Que o vento esteja sempre em suas costas .
Que o sol ilumine seu rosto .
Que a chuva fertilize seu campo .
E até que nos encontremos de novo ,
Que Deus lhe guarde na palma da mão ."
" Que Deus nos dê
para cada tempestade , um arco-íris .
Para cada lágrima , um sorriso .
Para cada gesto de ternura , uma promessa .
E uma benção em cada momento difícil .
Que tenhamos sempre um amigo fiel
para dividir nossos problemas .
E que cada oração seja sempre
escutada e respondida ."
" Os anjos não dão de ombros , não ;
quando querem mostrar indiferença ,
os anjos dão de asas ."
Mario Quintana , in " Caderno H "
" Há noites em que não posso dormir
de remorsos por tudo o que deixei de cometer ..."
Mario Quintana , in "Caderno H"
" Eu já tive e perdi
uma casa ,
um jardim ,
uma soleira ,
uma porta ,
um caixão de janela com um perfil .
Eu sabia uma modinha e não sei mais .
Quando a vida dá folga , pego a querer
a soleira ,
o portal ,
o jardim da casa ,
o caixão de janela e aquele rosto de banda.
Tudo impossível
tudo de outro dono ,
tudo de tempo e vento .
Então me dá choro , horas e horas ,
o coração amolecido como um figo na calda ."
Adélia Prado
" Se cada dia cai ,
dentro de cada noite ,
há um poço
onde a claridade está presa .
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar a luz caída
com paciência ."
Pablo Neruda ,
in " Últimos Poemas"
" É tão vasto o silêncio da noite na montanha.
É tão despovoado.
Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo,
pensar depressa para disfarçá-lo.
Ou inventar um programa, frágil ponto que mal
nos liga ao subitamente improvável
dia de amanhã.
Como ultrapassar essa paz que nos espreita.
Silêncio tão grande que o desespero tem pudor.
Montanhas tão altas que o desespero tem pudor.
Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina,
o corpo todo escuta: nenhum rumor.
Nenhum galo.
Como estar ao alcance dessa profunda meditação
do silêncio. Desse silêncio sem lembranças de
palavras. Se és morte, como te alcançar.
É um silêncio que não dorme: é insone:
imóvel mas insone; e sem fantasmas.
É terrível – sem nenhum fantasma.
Inútil querer povoá-lo com a possibilidade
de uma porta que se abra rangendo,
de uma cortina que se abra e diga alguma coisa.
Ele é vazio e sem promessa.
Se ao menos houvesse o vento.
Vento é ira, ira é a vida. Ou neve.
Que é muda mas deixa rastro –
tudo embranquece,as crianças riem,
os passos rangem e marcam.
Há uma continuidade que é a vida.
Mas este silêncio não deixa provas.
Não se pode falar do silêncio como
se fala da neve.
Não se pode dizer a ninguém como
se diria da neve:
sentiu o silêncio desta noite?
Quem ouviu não diz. "
Clarice Lispector , in " Onde estivestes de noite ?"