sexta-feira, 12 de novembro de 2010

GIBRAN KHALIL GIBRAN




E uma mulher que carregava seu filho nos braços

disse :


" Fala-nos dos Filhos . "

E ele disse :

" Vossos filhos não são vossos filhos .

São os filhos e as filhas da saudade da Vida

por si mesma .

Eles vem através de vós mas não de vós .

E embora vivam convosco , não vos pertecem .


Podeis outorgar-lhes vosso amor , mas não vossos

pensamentos ,

Porque eles tem seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos , mas não suas almas ;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã ,


que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho .

Podeis esforçar-vos por ser como eles , mas não

procureis fazê-los como vós ;

Porque a vida não anda para trás e não se demora

com os dias passados .

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são

arremessados como flechas vivas .

O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e

vos estica com toda a Sua força para que Suas

flechas se projetem , rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja

vossa alegria :

Pois assim como Ele ama a flecha que voa ,


também ama o arco que permanece estável ."


Gibran Khalil Gibran , in " O Profeta "





quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Octavio Paz : Vento, água , pedra



"A água perfura a pedra ,

o vento dispersa a água ,

a pedra detém o vento .

Água , vento , pedra .



O vento esculpe a pedra ,

a pedra é taça da água ,

a água escapa e é vento .

Pedra , vento , água .


O vento em seus giros canta ,

a água ao andar murmura ,

a pedra imóvel se cala .

Vento , água , pedra .


Um é outro e é nenhum :

entre seus nomes vazios ,

passam e se desvanecem .

Água , pedra , vento ."

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sophia de Mello Breyner Andresen : Poema



" O poema me levará no tempo

Quando eu já não for eu

E passarei sozinha

Entre as mãos de quem lê


O poema alguém o dirá

Às searas


Sua passagem se confundirá

Como rumor do mar com o passar do vento


O poema habitará

O espaço mais concreto e mais atento


No ar claro nas tardes transparentes

Suas sílabas redondas


( Ó antigas ó longas

Eternas tardes lisas )


Mesmo que eu morra o poema encontrará

Uma praia onde quebrar as suas ondas


E entre quatro paredes densas

De funda e devorada solidão

Alguém seu próprio ser confundirá

Com o poema no tempo ."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fragmentos de Fabrício Carpinejar ...



" Machucamos com a voz , mas para

torturar mesmo só com o silêncio. "


" Não quero estar presente quando

você sentir falta de mim ."



" Depois da tormenta ,como se nada

tivesse acontecido , como se o destino

fosse um parente desconhecido , irei recomeçar ."


" O amor é tão arrogante que não aceita

virar amizade ."



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Marina Colasanti - Prêmio Jabuti 2010




No dia 04 de novembro , próximo passado,

a escritora , ensaísta , contista e poeta ,

Marina Colasanti , ganhou , pela quarta vez ,

o Prêmio Jabuti , na categoria Poesia,

com seu livro , " Passageira em trânsito ".


Transcrevo um dos poemas do livro :


Entre ferro e fio


" Como punhal

sem sangue

e sem ruído

a agulha vara a carne do tecido .

Ouvem-se apenas

do metal vencido

a queixa do dedal

e um leve sibilar

ferindo as fibras .

A linha se insinua

serpente que

entre trama e urdidura

de outros fios se defende

e ponto a ponto

impõe

nova estrutura .

A essa falsa fronteira

que sem ser cicatriz

o corte emenda escondida na beira

a essa semovente arquitetura

batizamos

costura ."

domingo, 7 de novembro de 2010

109º aniversário de Cecília Meireles



" Plantaremos estes arbustos

que darão flor apenas

daqui a três anos .


Plantaremos estas árvores

que darão fruto um dia ,

mas só depois de dez anos .


Não plantaremos jardins de amor ,

porque imediatamente

abrem tristeza e saudade .


Não plantaremos lembranças ,

porque estão desde já e para sempre

carregadas de lágrimas ."


Cecília Meireles , in " Plantaremos estes arbustos "

sábado, 6 de novembro de 2010

Quadrilha , por Drummond



" João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim

que amava Lili que não amava ninguém .

João foi para os Estados Unidos ,

Teresa para o convento ,

Raimundo morreu de desastre ,

Maria ficou para tia ,

Joaquim suicidou-se e Lili

casou com J.Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história ."


Carlos Drummond de Andrade