quarta-feira, 29 de maio de 2013

ALICE RUIZ

Ron  Hicks
 
"  assim  que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar
batendo  duro  no  peito
até eu acabar  virando
alguma  coisa
parecida  com  você
 
parecia  ter  saído
de  alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido
 
alguma  coisa perdida
que eu nunca tinha tido
 
alguma  voz  amiga
esquecida no meu ouvido
 
agora  não tem mais jeito
carrego você  no  peito
poema  na camiseta
com a tua assinatura
 
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei
parte  da  tua leitura. "
 
 
 in  ," dois em um "
 
Som   na  caixa ... 
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

Christiane  Vleugels  
 
 "  Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra.
  Deixa que nos meus braços pousem então as aves
(que, como eu, trazem entre as penas a saudades
de um verão carregado de paixões).
 E planta à minha volta uma fiada de rosas
brancas que chamem pelas abelhas,
 e um cordão de árvores
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara
como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre
me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes
a ninguém que foi por ti).
 Quando eu morrer, deixa-me  a ver o mar do alto
 de um rochedo e não chores,
 nem toques com os teus lábios a minha boca fria.
 E promete-me
que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos
como pequenos foram sempre os meus ódios;
e que depois os lanças na solidão
de um arquipélago e partes sem olhar
para trás nenhuma vez:
 se alguém os vir de longe brilhando
na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu,
 estrelas que se escaparam das trevas,
pingos de luz, lágrimas de sol,
ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor. "

                      in , " O  canto do  vento nos ciprestes " 

                                                  Som  na  caixa ...
                                                 
                                                     


terça-feira, 21 de maio de 2013

NOSSO BRILHO ...

Nenad  Mirkovich
 
(...)
 
" Brilhar  pra  sempre
Brilhar  como  um  farol
Brilhar  com  brilho  eterno
Gente é pra brilhar
Que tudo o mais vá pro inferno
Este é meu slogan e o do  sol . "
 
Vladimir  Maiakovski
 
Som  na  caixa ...
 

domingo, 19 de maio de 2013

POEMA DE HOJE ...

Valentin Russin
 
"  Queria  dizer-te  . Queria .
Queria olhar-te .
Olhar-te  com força - como se olha com força ?
E dizer-te . 
Dizer-te  que sim . Sempre sim .
Desde o primeiro não que sim .
Dizer-te que quero . Olhar-te com força .
Dizer-te . Queria .
Dizer-te . Negar  o não .
 Negar  o não que desde sempre -
onde começou o sempre ? - foi sim .
Dizer-te  menti .
Dizer-te fugi .
Dizer-te  parti .
Queria  . Dizer-te aqui .
 Dizer-te  agora .
Dizer-te já .
Queria . Sempre queria .
Queria , amor . Amor .
O imperfeito . Queria .
O imperfeito .
Amor ."
 
Pedro Chagas  Freitas
 
Som  na  caixa ...
 
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A BELEZA DA VIDA

Felipe
 
Amanhã , 18 de maio , é  aniversário do Felipe , meu filho .
De certa  forma ,  também  é meu .
Há  quase trinta anos  ,
 no sétimo mês e meio da minha gravidez,
que corria normalmente ,
 tive uma trombose venosa profunda 
na perna esquerda  e passei a ser uma grávida de alto risco .
Os médicos me aconselharam a permanecer de repouso até
o  parto , tomando anticoagulante , todos os dias .
Me alertaram ,  que fariam o possível para que
mãe e filho fossem salvos porque havia perigo de
hemorragia .
Meu susto foi grande , mas bem menor do que a fé que
sempre tive na misericórdia de Deus .  
Tudo deu certo.
Num  18 de maio , mês de Maria , sobrevivemos , os dois .
Desde então , quando o menino ,
hoje , homem e belo advogado,
apaga as velas do bolo ,  ao som do Parabéns ,
meu coração ajuda a soprá-las .
 
Sáude , Sucesso e muito Amor , Felipe !
Com as bençãos  de Deus .
 
O som da caixa é para ele , com a música do Gonzaguinha ,
" O que é , o que é ?"
uma exaltação  a vida .
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

DECLARAÇÃO ...

Cornelia  Scheime
 
" Eu  decorei  suas fraquezas , acalmei seus pesadelos .
Conheço histórias de sua infância  ,
dores  e  repulsas .
Sou  sua caixa-preta ,  sua cópia de segurança ,
seu diário , seu esconderijo  na parede ."
 
 
Fabrício Carpinejar ,
in " Carta  para  minha  namorada "
 
Som  na  caixa ...
 
 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

CARTA DE AMOR

Steven   Graber
 
" E foi assim que , por um simples pretexto do calendário ,
ela escreveu pela primeira vez  uma carta de amor .
Sem pudor e sem juízo , com o mesmo desamparo da
paixão  que se rende a si mesma , o mesmo tom
adolescente  que embala todas as cartas de amor .
Contou , em detalhes  os mais íntimos , a implacabilidade
do sentimento que desafia  moral e costumes   e
destrói intenções a golpe de desejo .
 Como numa confissão , descreveu o encontro com
um algoz todo poderoso que se impõe  à sua vítima , como
uma vocação ou um destino . Quando releu , achou ridículo .
Não sabia ainda que o amor pune com ridículo 
 quem recusa a solidão .
Dele foram vítimas todos os que pisaram  a superfície
da Terra , em todos os lugares , em todos os tempos .
Como se o amor vivesse em nós como um plasma genético ,
que se transmite de geração  em geração ,
incandêscencia  humana  que , fatalmente ,  se manifestará
em algum momento da vida .
Nesse  momento o mais forte dos seres , desvalido ,
se entregará  a outro , àquele  que preenche o mundo todo ,
que não lhe deixará outra saída  senão perder-se
em seu corpo  e em sua alma . 
Aquele a quem se repetirão  as palavras mais antigas ,
as que se murmuram  em todos os abraços ,
como se fora o primeiro e o último .
Palavras como : único , perfeito , para sempre .
E foi movida  por essa ancestralidade , pisando este
território  tão conhecido , que a cada passo refaz-se
virgem , luminoso , plantado de milagres , que foi
levada pelo que é , ao mesmo tempo ,
a banalidade  e a grandeza da história de cada um ,
que escreveu  em uma folha em branco ,
sem data " Meu amor ".  "
 
 
Rosiska Darcy de Oliveira ,
em trecho  da crônica  " Carta de Amor " ,
do livro " A natureza do escorpião "
 
Som  na  caixa ...