sexta-feira, 14 de março de 2014

O ÁUGURE

Gail  Harmer 

" Sou  um  prisma  às  avessas 
as  cores  em  mim   se  confundem
sou  um  tapete  de  ecos 
uma  cachoeira  de  gritos 
uma  cordoalha  de muitos tempos 

A esfera  de  lantejoulas 
- passado  presente  futuro -
roda refletindo  mil sóis 

Sou  essa  colméia  de incêndios 
essa  assembléia  de sinais 
esse  rumor  insone ."


Hélio Pellegrino ,
 nasceu em Belo Horizonte 
 aos 5 de janeiro de  1924 
 e morreu no Rio de Janeiro  ,
 em 23  de março  de  1988 .
Foi  médico psiquiatra , psicanalista ,
escritor , jornalista , poeta .
Conhecido por sua amizade com os
 também  escritores  ,
 Fernando Sabino ,  Paulo Mendes Campos 
e Otto Lara Rezende , formando com eles
o  grupo conhecido como " Os  4 mineiros ".  
Sua poesia só foi publicada  cinco  anos após
sua morte ,   no livro " Minérios  Domados ",
organizado por  Humberto Werneck .


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18 comentários:

  1. A! Esses mineiros! É rica a contribuição deles à vida política e literária do país. Aqui se lê um poema de Pellegrino em que revela o sopro da existência através de um lirismo rico, transbordante, interrogando-se, em um tom confessional. Agradeço mais uma vez o olhar generoso sobre a minha lira e aproveito para dizer-lhe que é sempre bom passear pelo interior da sua ‘casa’, pois nela há sempre um texto-referência, que funda uma nova realidade, cabendo a cada de nós descobrir e assimilar.
    beijos,

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    1. Obrigada , José Carlos . Escolho com cuidado o que servir e deixo a " casa" arrumada para que meus convidados sintam-se à vontade e bem acolhidos . É sempre uma festa quando generosamente vocês chegam . Beijos e boa semana

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  2. A leitura de Hélio Pellegrino sempre causa boas sensações. O poema em questão me passa uma sensação de inquietude, e ao mesmo tempo uma abertura sublime, um sopro, um respiro na construção de um encontro consigo mesmo.
    Beijo querida e obrigada pelo carinho de suas visitas! Bom domingo!
    Denise – dojeitode.blogspot.com

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    1. Denise , gosto quando o poeta nos diz ser uma roda de mil sóis . Presente , passado e futuro . As cores se confundem mas o brilho permanece . Agradeço sua presença . Beijos

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  3. Querida amiga

    E mesmo
    que vivêssemos
    milhares de vida,
    continuaríamos
    a ser este prima
    de infinitas cores
    e formas...

    Ser feliz é fazer a vida de alguém
    intensamente feliz.

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    1. Meu amigo Aluísio , concordo com você , temos todos muitas cores . Não poderia ser diferente . Obrigada pela visita . Beijos

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  4. Que blog bom !!! Adorei tudo .
    Beijo Patrícia
    patriciajorge.blogspot.com

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    1. Fico contente e agradecida Patrícia . Fui ao seu espaço e já sou seguidora . Beijos

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  5. Olá,Marisa
    Áugure
    Helio Pellegrino...segundo Lya Luft ".Nada nele era banal,e nada nele era maligno: era um vulcão de
    afeto, mas também de preocupações."
    Obrigado pelo carinho,belo domingo, beijos!

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    1. Felisberto , bom ter mencionado Lya Luft . Quando os dois se conheceram a paixão foi avassaladora . Ele morreu casado com ela . Me alegra demais seus comentários . Beijos

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  6. Marisa,

    Ele era um talentoso escritor. Fantastico.
    Neste poema ele mostrava um pouco de inquietude, de contradições nos sentimentos.
    É sempre bom vir aqui e ler suas postagens.

    Bom domingo.

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  7. Sissym , não sabe como me deixa alegre quando vem . Obrigada . Beijos

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  8. Outro poeta que é uma novidade para mim.
    Um poema belíssimo, com muito colorido, muito brilho , muita rotação, muito eco e grito, numa confusão que traz a terreiro o passado e o presente. Uma vibração e inquietação que causa insónia...
    Ocorre-me, nem sei porquê a bipolaridade, tão conhecida dos psiquiatras...:-)
    Muito adequada também a música de Cindi Lauper.
    xx

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    1. Laura , a blogosfera tem nos permitido partilhar textos que nos encantam.
      Quando a visito, além de seus belos poemas , encontro trabalhos de pessoas que não conhecia e saio enriquecida . Também , me alegra quando você aqui chega e lhe apresento novos poetas .
      O Hélio Pellegrino se descreve no poema.
      Assim é que , a escritora Lya Luft ,casada com ele quando de sua morte, no livro de poemas ," O lado fatal ", publicado em 1988 ,
      diz num deles :" Aquele que amei era velho e moço / ríspido e cândido / apaixonado e solitário /e compreendeu minha alma inquieta como ninguém ."
      Em outro , afirma : " Ele era um homem impaciente : brigava no trânsito , detestava filas , batia portas com força quando perdia suas coisas . Mas quando um dia chorei porque falou alto comigo , mandou-me rosas que espalhei pela casa toda ".
      Tenho no blog uma entrevista feita por Clarice Lispector na qual afirma que considera Hélio Pellegrino um dos seres humanos mais completos que conhece , sendo suas características marcantes , a tolerância e o amor que distribui sem sentir .
      Fiquei feliz que a música tenha lhe agradado.Temos todos muitas e verdadeiras cores, não é mesmo ?
      Beijos e boa semana

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  9. E esse emaranhado de emoções e de sinais,se transformou nesse belo poema de Helio.Belo porem inquieto.Lindo!Bj Marisa!

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    1. Também gosto muito , Victor .
      Obrigada pela visita .
      Beijos

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  10. Marisa,

    Também volto para agradecer-lhe em meu nome e no da Olívia pelos seus cuidados, pela sua companhia. Nos faz tão bem quando encontramos a solidariedade em nossos semelhantes. E Olívia precisa da solidariedade das pessoas. E, claro, aproveitei para reler este poema soberbo do Hélio.
    Beijos,

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    1. Abraços e beijos para Olívia .
      Outros , para você .

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