domingo, 9 de dezembro de 2012

MIA COUTO

Lauri Blank
 
" Para  sempre  me  ficou  este  abraço .
 Por via desse cingir de corpo minha vida  se mudou .
Depois desse abraço , trocou-se , no mundo ,
 o fora pelo dentro .
Agora , é dentro que tenho pele .
Agora , meus olhos se abrem  apenas
 para  as funduras da alma .
 Nesse  reverso, a poeira da rua me suja  é o coração .
 Vou  perdendo  noção de mim , vou desbrilhando .
E  se  eu  peço  que  ele regresse  é 
 para  sua  mão peroleira
me  descobrir  ainda cintilosa por dentro .  
Todo este  tempo me madreperolei  ,
 me enfeitei de lembrança. "
 
 
in , " Na Berma  de Nenhuma Estrada "


6 comentários:

  1. Ese abrazo que cambió una vida, sumiéndola en los recuerdos y la nostalgia.
    Preciosos versos.
    Un abrazo.

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    1. Também gosto bastante do poema , Pedro Luis .
      Agradeço sua visita carinhosa , sempre .
      Beijos

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  2. O abraço é o elo, depois dele, nada mais importa.
    Martha

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    1. Concordo com você , Martha .
      Grata pela visita .
      Beijos

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  3. MARISA,

    lindíssimo é pouco!

    "...me madreperolei,/me enfeitei de lembranças"

    O que é isso,como se faz isso, onde se econtra isso, em que gaveta da criatividade humana isso estava posto?

    Existe inveja construtiva,Marisa?

    Esta inveja se existe eu estou sentindo agora, afinal, porque não fui eu quem desenhou em letras bordadas de ouro, este poema maravilhoso?

    Nem tenho a pretensão de um dia chegar perto disso, mas Marisa, continue selecionando momentos como este.

    Combinado?

    Um abração carioca.

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    1. Paulo ,
      Penso exatamente como você .
      As metáforas do Mia Couto são indescritíveis .
      Todas deslumbrantes .
      Temos " Inveja do bem " , rs,rs,rs,
      Fico feliz com sua visita .
      Beijos paulistas

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